Entre patas e afetos: projeto do CBMCE transforma rotina de pessoas com Síndrome de Down
21 de março de 2026 - 10:43 #CBCães #CBMCE #síndrome de down
Texto: Martha dos Martins (Ascom SSPDS) Fotos: Juliano Farias (Asom SSPDS)

Há números que contam histórias, e há datas que carregam significados especiais. O Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado neste sábado (21), nasceu desse encontro: 21/03, uma referência à trissomia do cromossomo 21, condição genética que caracteriza a Síndrome de Down, na qual a pessoa possui três cópias do cromossomo 21, em vez de duas. Mas, muito além da biologia, neste dia, celebramos a beleza da diversidade humana e a urgência de um mundo mais inclusivo.
Para contribuir para essa inclusão, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE), por meio da Companhia de Busca com Cães (CBCães) do Batalhão de Busca e Salvamento, mantém o projeto Cão Terapia, também chamada de Intervenção Assistida por Animais (IAA). No projeto, os cachorros atuam como mediadores e facilitadores no desenvolvimento das pessoas atendidas. Atualmente, cinco animais participam do projeto: as cadelas Diná, Brasa, Inês, Nala e Dora.

Entre os locais que recebem a iniciativa do CBMCE, está o Centro de Atendimento Educacional Especializado (Caeesp), no bairro Jacarecanga, em Fortaleza, que atende 390 crianças com deficiência, sendo 78 delas com síndrome de down. A diretora da entidade, Ana Cristina Moraes, afirma que a IAA traz mais leveza à rotina das pessoas assistidas. “Tem muita criança que tem pânico, outras são agressivas e, com os cães, elas ficam mais calmas”, observa. Para Ana Cristina, o principal benefício do projeto é a socialização. “Elas criam um vínculo de amizade com os cachorros impressionante, então, passam a ver também as outras pessoas de forma diferente, principalmente as crianças que são mais agressivas. É como se os animais treinassem as crianças para as relações com os seres humanos”, analisa.

O tenente Amaury Bezerra, comandante-adjunto da CBCães, explica que a interação com os cães fazem as crianças liberarem hormônios como a endorfina, que gera a sensação de bem-estar. Além disso, o projeto contribui para a dessensibilização das pessoas atendidas, que acabam superando o medo.
Benefícios
Mas os benefícios não ficam restritos às crianças atendidas: os animais também colhem vantagens no projeto. “Durante o atendimento, os cães acabam sendo treinados também. Eles se acostumam com as pessoas e com multidões, no processo de dessensibilização. E, como os nossos cachorros buscam pessoas, eles têm que gostar de pessoas”, afirma.

Entretanto, não são todos os cães que estão aptos a lidar com as crianças. O tenente Amaury ressalta que são selecionados aqueles que são mais dóceis e que gostam de interagir com crianças. “Não é simplesmente trazer o animal, é uma terapia assistida por animais. Tem todo um planejamento com a instituição e com o condutor do cão, pois temos que fazer parte também da programação da entidade”, acrescenta.
Evolução

Maria Marino é mãe do Lucas Marino, de 19 anos, que tem síndrome de down, deficiência intelectual e autismo. Para ela, Lucas, que não fala, consegue se expressar melhor quando os cachorros estão presentes. “Ele já rompeu a barreira do medo, e nós percebemos pelo olhar dele, quase como se ele estivesse falando. É um projeto tão emocionante, tão bacana, que se fosse para pagar, eu pagaria. Mas realmente, não há dinheiro que pague ver essa evolução”, destaca.
Serviço
Os órgãos que tiverem interesse em receber o projeto pode enviar e-mail para cbcaes@cb.ce.gov.br. Já quem quiser ajudar o Caeesp, pode entrar em contato com Ana Cristina, por meio do telefone (85) 98225.2061.