Plataforma lançada pela SSPDS e Seir mapeará povos de terreiro no Ceará
20 de janeiro de 2026 - 17:52 #Bom Jardim #Codes #Copac #Igualdade Racial #PMCE #Povos de terreiro #Supesp
Texto: Lucas Memória - Ascom SSPDS Fotos: Denilson Araújo - Ascom SSPDS
Todos os dados serão coletados de maneira sigilosa, usados exclusivamente
em análises agregadas e protegidos por protocolos éticos e legais
A partir da escuta de povos de terreiros e outros movimentos sociais, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), em parceria com a Secretaria da Igualdade Racial (Seir) lançou, nesta terça-feira (20), a plataforma “Encruzilhadas em Rede”, desenvolvida pela Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp/SSPDS). A ferramenta vai reunir informações dos terreiros do Ceará, visando fortalecer a proteção e a criação de políticas públicas para esses povos tradicionais. A programação aconteceu no Centro Cultural Bom Jardim, em Fortaleza.

A plataforma “Encruzilhadas em Rede” faz parte do termo de cooperação assinado anteriormente pela SSPDS e Seir. De acordo com a superintendente da Supesp/SSPDS, Juliana Barroso, “desde o ano passado, a Supesp dialoga com a Seir. Criamos um painel para monitorar as violências contra a população preta do nosso Ceará. Agora, a gente dá um passo a mais. A secretária Zelma [Madeira] e eu temos conversado sobre a necessidade de monitorar, por meio de uma plataforma que consiga monitorar os terreiros. Mas a gente não quer só mapear, não. A gente quer conhecer, aprofundar o conhecimento sobre esses terreiros para pensar as ações de Segurança Pública e outras políticas públicas mais direcionadas, por meio de produção de dados qualificados”, explicou a superintendente.

A ferramenta foi criada a partir de um questionário, dialogado com movimentos sociais, que elaboraram sugestões, críticas e percepções fundamentais para garantir que o instrumento fosse adequado às especificidades culturais, territoriais e espirituais de cada casa.
A ferramenta segue a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Assim, todos os dados serão coletados de maneira sigilosa, usados exclusivamente em análises agregadas e protegidos por protocolos éticos e legais.
Comitê Interinstitucional

Ainda no evento, a secretária da Seir, Zelma Madeira, destacou a criação do Comitê Interinstitucional de Proteção às Comunidades Quilombolas, Ciganas e de Terreiro. Em sua fala, a gestora pontuou a importância da escuta e da construção de ações a partir desse processo inicial. “Não podemos ficar somente na oralidade. Temos que criar marcos legais, colocar em Diário Oficial. Com essa entrega de hoje, não iremos parar. Seguimos ouvindo as demandas e correndo atrás de garantir os direitos dos povos de terreiros e demais povos tradicionais. Estamos estruturando um comitê interinstitucional de segurança, de proteção aos povos e comunidades tradicionais, com a presença do Copac, com a SSPDS, com o Ministério Público e outros órgãos e grupos interessados em fortalecer esse dabate”.

O Comitê será composto pela Secretaria da Igualdade Racial (Seir); pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS); pelo Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH); pelo Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH); pela Defensoria Pública do Estado do Ceará; pela Comissão de Igualdade Racial da OAB/CE; pelo Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Coepir/CE); pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq); pela Comissão Estadual de Comunidades Quilombolas do Ceará (Cequirce); pela União Espírita Cearense de Umbanda (Uecum); pelo Fórum dos Povos de Terreiro do Ceará; pelo Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar; além de entidades do candomblé e de povos ciganos.

Participaram da programação no Centro Cultural Bom Jardim, em Fortaleza: a superintendente da Supesp/SSPDS, Juliana Barroso; o tenente-coronel comandante do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac) da Polícia Militar do Ceará (PMCE), Leandro Ribeiro; a orientadora da Célula de Grupos Vulneráveis da Coordenadoria de Defesa Social (Codes/SSPDS), Fabrine Bastos; a secretária de Igualdade Racial, Zelma Madeira; entre outros.
Colaboraram: Milena Martins (estagiária) e Sara Sousa (Ascom Seir)