Operação conjunta da SSPDS e Ministério Público é deflagrada contra grupo criminoso no Ceará
14 de dezembro de 2017 - 19:41

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) e a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), através, respectivamente, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e da Coordenadoria de Inteligência, deflagraram conjuntamente, na manhã desta quinta-feira (14), a Operação Saratoga, que investiga a atuação de um das maiores grupos criminosas do Brasil, de origem paulista e em atuação no Ceará há alguns anos. Nessa fase da operação, 25 mandados de prisão cumpridos, sendo que 17 deles já estavam em unidades do sistema penitenciário, um é policial militar. Outros dois alvos são policiais civis ? um delegado e um inspetor. A Justiça decretou 15 prisões em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Os nomes dos alvos da ação não serão divulgados para não comprometer o andamento das investigações.
O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), Epaminondas Vasconcelos, avalia a ação como uma resposta que o Estado dá para a sociedade sobre a atuação desses grupos criminosos. ?Em mais de dois anos de investigação, 53 integrantes de facções foram neutralizados e inúmeras ações criminosas foram impedidas, como homicídios, fugas, dentre outras. Todas as quatro denúncias já foram feitas, cada uma com cerca de 20 acusações, e esperamos dar continuidade ao trabalho, fortalecendo cada vez mais a nossa atuação, para que ela seja mais abrangente e eficaz no combate às organizações criminosas?.
Sobre as investigações, o secretário da SSPDS, André Costa, declarou que confia nos trabalhos desenvolvidos pelo Ministério Público e ressaltou que essa é uma etapa para avaliar as evidências colhidas. ?Temos essa investigação em andamento, que é uma etapa de obtenção de provas, que serão utilizadas em futuro processo judicial e também administrativo disciplinar. Além disso, todos os celulares apreendidos serão periciados, e assim, nós teremos novas informações que vão possibilitar a abertura de novas investigações por parte da SSPDS e pelo Ministério Público?, frisa.
Cumprimento de mandados e prisões
A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) cumpriu mandados de busca e apreensão e de prisões contra indivíduos que estão recolhidos em unidades do sistema penitenciário, localizados na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de prisão contra integrantes do grupo criminoso. Aparelhos celulares e uma quantidade pequena de drogas foram apreendidos nos locais vistoriados.
Equipes da Coordenadoria Integrada de Planejamento Operacional (Copol) da SSPDS realizaram as prisões de outras cinco pessoas suspeitas de colaborar com o grupo criminoso.
Ainda durante as investigações, foi verificada a participação de policiais civis e militares nos crimes, razão pela qual equipes da Controladoria Geral de Disciplina (CGD) também foram às ruas da Capital desde cedo para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão.
Equipes da CGD cumpriram três mandados de prisão e de busca e apreensão contra um escrivão da Polícia Civil, um delegado da Policial Civil e um policial militar, ficando em aberto, ainda, um mandado de prisão e apreensão contra um policial militar, devido ao mesmo estar em local incerto. A CGD já tomou as providências cabíveis instaurando os procedimentos disciplinares. Os policiais civis foram presos. Já o policial militar, que já se encontrava recolhido, sob a acusação de outro delito, recebeu novo mandado de prisão. Uma advogada também foi denunciada e teve a prisão decretada.
Os investigadores do GAECO salientaram que, para além das prisões em flagrante realizadas no decorrer da investigação e as prisões e buscas cumpridas hoje, a Operação Saratoga foi responsável por impedir grandes motins no sistema penitenciário, uma vez que a Inteligência da SSPDS procurou sempre se antecipar aos fatos junto à Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus), a fim de manter o controle e evitar crimes e mortes dentro dos presídios cearenses.
O nome ?Saratoga? é uma alusão ao conhecido porta-aviões norte-americanos que, em filme ficcional, serviu de base para o combate a criaturas subterrâneas, que na vida real se assemelham a indivíduos que atuam na clandestinidade, praticando crimes à margem da lei e da ordem.
Histórico da operação
A investigação do Gaeco e da Inteligência da SSPDS teve início em maio de 2015, por meio do monitoramento e acompanhamento de várias lideranças da facção, tanto dentro quanto fora do sistema prisional. Nas fases anteriores da operação, foram realizadas inúmeras intervenções pontuais pelas forças de segurança do Ceará, redundando na prisão em flagrante de 53 investigados, na apreensão de 19 armas de fogo de diversos calibres, além de grande quantidade de entorpecentes, sendo aproximadamente 60 kg de cocaína, 200 kg de maconha e 8 kg de crack.
Para além da lavratura das prisões em flagrante ao longo da investigação, os promotores do Gaeco compilaram todo o material colhido e apresentaram denúncias criminais contra todos os integrantes da facção investigados, pelos crimes de integrar organização criminosa armada, tráfico de drogas, associação para o tráfico, dentre outros. As denúncias foram recebidas e os juízos de Fortaleza, Caucaia e Maracanaú decretaram ao todo a prisão preventiva de mais 46 integrantes da facção, além de busca e apreensão nas residências, cujo cumprimento se dá na manhã de hoje por equipes da SSPDS, coordenadas pela Coordenadoria Integrada de Planejamento Operacional (Copol). Todo o material apreendido segue para análise na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas organizadas da Polícia Civil (Draco).
Como a investigação foi longa e detalhada, a previsão do Ministério Público é que as penas dos principais líderes da organização criminosa possa variar, em caso de condenação, de 45 até 503 anos de prisão, conforme a participação e a hierarquia de cada investigado na organização, bem como a quantidade de crimes graves praticados, sendo, portanto, a investigação mais proveitosa e abrangente contra uma organização criminosa realizada pelo Estado do Ceará até o momento.