SSPDS cria grupo de estudo focado em traçar o perfil das vítimas de CVLIs
6 de outubro de 2017 - 20:36

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) tem desenvolvido uma série de ações voltadas para a prevenção e combate a Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), que englobam homicídio, latrocínio e lesão corporal seguida de morte. Uma das estratégias adotadas pela pasta para a redução dos casos é o estudo sobre o perfil das vítimas, na busca por um diagnóstico das ocorrências e novas soluções para o problema. Para que o trabalho seja desenvolvido, foi instituída a Comissão de Estudo do Perfil das Vítimas de CVLI, presidida pela delegada Socorro Portela. O novo grupo de trabalho foi apresentado pelo titular da SSPDS, André Costa, nesta sexta-feira (06), durante coletiva de imprensa.
?O objetivo do nosso trabalho é gerar uma estatística para que, a partir disso, o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Segurança, busque estratégias mais direcionadas de combate a casos do tipo?, detalha Socorro Portela, que é a presidente da Comissão. O grupo, formado por cinco policiais, entre civis e militares, desenvolve suas atividades com visitas aos familiares das vítimas, à delegacia responsável pela investigação sobre o caso e também à Coordenadoria de Medicina Legal (Comel) da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). Com isso, as causas das ocorrências serão mais bem definidas e as tomadas de decisão das Forças de Segurança poderão ser melhor direcionadas.
A comissão, que é uma iniciativa de André Costa, iniciou seus trabalhos no dia 31 de agosto deste ano, após publicação da Portaria 1046/2017. O grupo é responsável por analisar os casos de homicídio, latrocínio e lesão corporal seguida de morte, ocorridos em Fortaleza. Uma prévia do trabalho foi apresentada, nesta tarde (06), durante coletiva de imprensa com o secretário da SSPDS. ?O que é que levou (ao crime)? Quem são essas vítimas (…)? Nós temos uma comissão montada aqui na Secretaria e quem está à frente é a delegada Socorro Portela, que tem uma experiência de anos na Divisão de Homicídios?, declara André, sobre a importância da criação do grupo como estratégia de entendimento e de redução dos casos de mortes violentas no Ceará. E continuou: ?Depois a gente vai ampliar isso para a Região Metropolitana e também para o Interior do Estado?.

Sobre o combate à criminalidade em território cearense, o gestor explica que é fundamental o engajamento da esfera federal: ?Estamos finalizando no Estado do Ceará um plano estadual de segurança pública. É muito importante que a União também elabore esse plano nacional (…). É importante que o Governo Federal leve com seriedade o problema da segurança pública (…). Se o Estado do Ceará tentar resolver sozinho, não vai conseguir, porque são grupos (criminosos) que vêm de fora do Estado, de locais como São Paulo e Rio de Janeiro. A gente precisa dessa pactuação entre todos os estados do país e o Governo Federal para que, assim, a gente possa apresentar uma solução?, pontua.
De acordo com o estudo prévio elaborado pela nova comissão, 64% das vítimas dos casos já analisados possuíam antecedentes criminais e 84% das pessoas tinham envolvimento com drogas (desses 84%, 88% tinha envolvimento direto com narcóticos). Do total dos casos, 47% das vítimas tinham ligações com grupos criminosos, 6% não e o restante ainda está sendo apurado. O estudo também aponta que 24% dos delitos foram motivados por disputas entre grupos criminosos, 11% por entorpecentes e 6% por vingança, 48% estão a definir e os demais se deram por crime passional e outros. Mais um resultado levantado é o de que 882 das vítimas são do sexo masculino e, das vítimas do sexo feminino (46 casos), oito delas foram mortas por feminicídio. Sobre esse último dado, Costa fala: ?É um número muito menor do que o especulado, mas é um número que também nos preocupa?, enfatiza.

Prisões e apreensões em flagrante
Durante a coletiva, também foram divulgados os dados de capturas, apreensões de armas e entorpecentes, ocorrências de roubo a banco e os dados de CVLI e Crimes Violentos Contra o Patrimônio (CVP) ? que são os roubos ? registrados no último mês. De janeiro a setembro deste ano, houve um aumento de 18,3% no número de presos e apreendidos, se comparado com o mesmo período do ano passado, quando foram capturadas 9.690 pessoas, contra 11.464 neste ano.
As apreensões de armas e entorpecentes também apresentaram uma crescente. Nos nove meses deste ano, 5.572 armas foram retiradas de circulação em todo o Estado, contra 4.329 em 2016 (+28,7%). O aumento na apreensão de drogas foi de 174,8%, sendo 5.831,18 quilos neste ano contra 2.121,98 no ano anterior. Já os números de roubo à agência bancaria, caixa eletrônico e carro forte diminui. Foram 42 casos de janeiro a setembro deste ano contra 49 em 2016 (-20,4%). Os casos de CVLI aumentaram de 2.511 no ano passado para 3.696 neste ano.